segunda-feira, 19 de março de 2012

Cisternas de plástico apresentaram deformações no semiárido e estão tendo de ser repostas





Mais caras, cisternas de plástico doadas pelo governo deformam no semiárido e são alvo de críticas 73








  • Articulação do Semiárido/Divulgação

    Cisternas de plásticos apresentam deformações supostamente

    por conta do forte calor!

    Depois de não alcançar a meta de construir um milhão de cisternas no semiárido nordestino entre 2003 e 2008, o governo federal está adotando um novo modelo de reservatório, feito de polietileno, para tentar acelerar uma das principais políticas de combate aos efeitos da seca na região.

As 300 mil cisternas de plástico --como ficaram conhecidas no Nordeste-- custam mais que o dobro daquelas construídas com placas de cimento. A escolha virou alvo de reclamações e protestos, que aumentaram este mês, quando as novas cisternas tiveram que ser substituídas depois de apresentarem deformações, em menos de três meses de uso.

Para o governo federal, a tecnologia é segura e será uma solução mais rápida para completar a conta de um milhão de cisternas até 2014, quando se encerra o mandato da presidente Dilma Rousseff. Ao todo, nesses três anos, serão construídas também 450 mil cisternas de placa de cimento.

Números oficiais apontam que cada cisterna de polietileno tem custo total (equipamento e instalação) de R$ 5.090, ou seja, mais que o dobro da cisterna de placas de cimento –que, segundo a ASA (Articulação do Semiárido), sai por aproximadamente R$ 2.200. Levando em conta os dados apresentados, enquanto as 300 mil cisternas de polietileno vão custar R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos, se a tecnologia utilizada fosse a de placas, esse valor seria de R$ 660 milhões.

O sonho de garantir o armazenamento de água para consumo aos nordestinos durante as estiagens é antigo e ganhou força em 2003, quando a ASA (que congrega 750 organizações civis da região) lançou o projeto “Um Milhão de Cisternas para o Semiárido”. A ideia teve e financiamento do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), e a meta deveria ser cumprida em cinco anos. Mas, passados nove anos do lançamento, apenas 40% do total foi alcançado até 2011 –contando apenas as cisternas feitas em placas de cimento.

Nos oito anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva foram construídas 325.960 cisternas – média de 40 mil por ano. Em 2011, primeiro ano da gestão Dilma, essa média cresceu significativamente e o total de equipamentos entregues chegou 83.248. A estimativa oficial é que, considerando outras iniciativas públicas e privadas, tenham sido construídas até hoje 482 mil cisternas no Nordeste.

Para acelerar ainda mais e chegar à meta estipulada em 2003, o governo Dilma Rousseff garantiu que vai construir 750 mil cisternas --número que o governo considera suficiente para universalizar o armazenamento de água no Nordeste.

Com da experiência frustrada do projeto inicial, o governo resolveu adotar novas táticas e tecnologias. Para isso, lançou no ano passado o programa "Água para Todos", coordenado pelo Ministério da Integração Nacional (MDS). A ação acabou com a quase exclusividade da ASA na construção das cisternas, tirando também a gestão do assunto do MDS. Agora, Estados e municípios são os principais parceiros, indicando as necessidades das regiões e recebendo diretamente os recursos para a implantação.

Deformações

O problema são as cisternas de polietileno já entregues às famílias. Algumas delas apresentaram problemas menos de três meses após montadas. O caso ocorreu no município de Cedro, no sertão do Ceará, onde duas cisternas deformaram, supostamente por conta do forte calor da região. Fotos divulgadas pela ASA foram suficientes para uma série de protestos, inclusive nas redes sociais.

Em nota, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), responsável pela instalação e manutenção das cisternas, informou que a responsável pela fabricação foi notificada e já teria entregado duas novas cisternas. “Ressalta-se que o Ministério da Integração Nacional adota rigorosos procedimentos de controle de qualidade durante a fabricação e a entrega das cisternas.” Ainda segundo a Codesvasf, o tempo de vida útil da cisterna é de no mínimo 20 anos.

O argumento é rebatido por especialistas. "Essas cisternas têm um ciclo pequeno. Daqui a um tempo, vai ser um monte de lixo plástico espalhado pelo Nordeste. Além disso, estive falando com famílias, e elas questionam, porque não têm como entrar e lavar, o manuseio é diferente. Na cisterna de placa, a própria família pode consertar. São cisternas para 30 anos, mas essas com três meses estão deformando. Eles repuseram, mas vão repor até quando?", alegou o técnico do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada, em Juazeiro (BA), José Carlos dos Santos Neri.

sábado, 17 de março de 2012

Indignação dos Guardiões das Sementes


(Joaquim Pedro de Santana)

Jesus mestre salvador
Lá do céu está vendo
O que é que estão fazendo
Com o povo agricultor
É tirar o nosso valor
Mandar sementes pra gente
Com veneno é indecente
Deus não vai dar o perdão
É a indignação dos guardiões da semente

De apoio precisamos
Federal ou do Estado
Mas devemos ser consultados
Para saber o que plantamos
Por que nós não aceitamos
Virem com veneno pra gente
Saber que é indecente
Para nossa plantação
Esta é a indignação dos guardiões das sementes

Temos 38 espécies
230 variedades
Todas de boa qualidade
Que o povo todo conhece
Não sei o que acontece
Programas mandar pra gente
Só quatro achamos indecente
Fazemos revolução
É a indignação dos guardiões da semente

Nós sabemos que se plantar
As nossas variedades
Teremos com qualidade
Segurança alimentar
Também nós vamos zelar
O nosso meio ambiente
É bastante diferente
Desta outra plantação
É a indignação dos guardiões da semente

Nossos avós e nossos pais
Nos ensinaram a plantar
E também armazenar
Com produto naturais
Pimenta do reino é capaz
Para o trabalho da gente
Casca de laranja é excelente
Para a boa germinação
Está é a indignação dos guardiões da semente

Pedimos para não plantar
Pois temos diversidade
Mas se houver necessidade
De perto dela passar
Máscara e luva vamos usar
Para proteger a gente
Pois veneno é indecente
O mesmo é coisa do cão
Essa é a indignação dos guardiões da semente

Nos também temos clareza
Que o problema é financeiro
E com nosso dinheiro
Enricar mais as empresas
Veneno na nossa mesa
Com dinheiro da gente
Se chegar na minha frente
Digo ao chefe da Nação
Está é a indignação dos guardiões da sementes

No banco a semente está
Para a nossa autonomia
Pra quando chegar o dia
De o agricultor plantar
É só ele ir lá buscar
Voltar feliz e contente
Porque tem em sua frente
As sementes da paixão
Essa é a libertação dos guardiões da semente

terça-feira, 13 de março de 2012

PARTE DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO PODE SER ASSOLADO POR MAIS UMA SECA!

A luta e resistência dos agricultores e agricultoras do semiárido brasileiro vêm se tornando uma estratégia constante para permanecer no seu habitar, produzindo alimentos para suas famílias e para abastecer as cidades. Entretanto, de tempos em tempos se deparam com uma seca, fenômeno natural originado a partir das mudanças climáticas que ao se abater sobre a região castiga, de maneira perversa, os sertanejos, sobretudo, aqueles mais fragilizados. Nos últimos anos, muitas organizações da sociedade civil, dentre elas o CEPFS vem contribuindo para mudar essa situação a partir da promoção dos sertanejos como agentes de transformação social da realidade onde vivem. As agências de cooperação internacional muito têm contribuído com os trabalhos das organizações da sociedade civil que atuam no semiárido brasileiro para diminuir esse sofrimento na medida em que vêm apoiando várias iniciativas de captação de manejo de água de chuva. O governo Federal, através do MDS, também, tem dado significativa parcela de contribuição apoiando o Programa de Mobilização e Formação para a Convivência com a Realidade Semiárida (P1MC) que trabalha o acesso a água para o consumo humano e o Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semiárido: Segurança Alimentar e Soberania Alimentar através do Manejo Sustentável da Terra e das Águas – P1+2 (água para produção). É notória a satisfação das famílias que conseguem receber apoio para estruturar suas propriedades para melhor se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas, a exemplo do relato da Sra. Ana Cláudia da comunidade Catolé da Pista, no município de Teixeira, quando da instalação da bomba trampolim em sua cisterna recém construída pelo Projeto Convivência com a Realidade Semiárida, promovendo o Acesso a Água, Solidariedade e Cidadania, apoiado pelo Fundo Finlandês de Cooperação Local da Embaixada da Finlândia, em parceria com Trócaire, agencia de cooperação da Igreja Católica da Irlanda. “Só sabe o que é ter uma cisterna em casa quem a possui. Eu tinha vergonha de oferecer um copo de água para uma visita, hoje me sinto bastante a vontade para fazer isso, porque sei que estou ofertando uma água de boa qualidade”. Isso significa dá publicidade a dignidade que está sentindo. Entretanto, observa-se que ainda há muitas iniciativas a se fazer para que as famílias do semiárido possam vir a ter segurança hídrica, ou seja, água suficiente para beber, cozinha, tomar banho, etc., e, água para produção, para os animais, de modo que possa vir a enfrentar um período de estiagem, com mais tranqüilidade e dignidade. A água de uma cisterna é suficiente para uma família com uma média de 6 pessoas atravessar o período de estiagem natural que, em média, é de 7 a 8 meses, até que venha novamente o período das chuvas do próximo ano. Mas, quando vem um ano com irregularidades na distribuição das chuvas, como está se desenhando este ano, a família passa por dificuldades, mesmo aquela que tem cisterna. É verdade que tendo a cisterna terá um lugar para armazenar água, mesmo que tenha que comprar, através de carros-pipa. A realidade é que aquelas famílias que tem, além da cisterna, alguma outra forma de captação e armazenamento de água em suas propriedades, obviamente, passam menos dificuldades duque as que estão totalmente sem infra-estrutura. Isso revela que o que vem sendo feito está indo na direção correta: estruturar as propriedades da agricultura familiar com tecnologias sociais de captação, armazenamento e manejo de água de chuva para que haja melhores condições de adaptação às conseqüências da mudanças climáticas. Mas, também relava a necessidade de dados mais seguros em relação ao que representa segurança hídrica de uma propriedade familiar. Sem dúvida isso contribuirá, de forma segura, para que se possa estimular as famílias a se planejarem e buscarem apoio no sentido de estruturar suas propriedades com vistas a atingirem a segurança hídrica, ou seja, água, pelo menos, para dois anos. Sem dúvida esse deve ser o sonho de muitos sertanejos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

CEPFS CONCLUI CONSTRUÇÃO DE CISTERNAS EM COMUNIDADES RURAIS DO MUNICÍPIO DE TEIXEIRA – PB

O Centro de Educação Popular e Formação Social – CEPFS, concluiu no período de 06 a 09 de março, a construção de 15 cisternas com sistema de boia para lavagem do telhado e bomba trampolim. Nesta última etapa de construção foram instaladas todas as bombas trampolim das 15 cisternas e afixadas placas com informações das entidades executaras e financiadoras. Essa tecnologia permite um manejo adequado através de um processo de sucção do precioso líquido sem contato direto com a água. A construção dessas cisternas é parte do projeto Convivência com a Realidade Semiárida, Promovendo o Acesso a Água, Solidariedade e Cidadania, apoiado pelo Fundo Finlandês de Cooperação Local da Embaixada da Finlândia no Brasil, em parceria com a agência de Cooperação da Igreja Católica da Irlanda Trocaire. Nesta etapa foram beneficiadas diretamente 15 famílias, com mais de 70 pessoas, de 09 comunidades do município de Teixeira, assim distribuídas: Santo Agostinho (3); Poços (3); Coronel (2); Serra Verde (2); Catolé dos Machados (1); Catolé da Pista (1); Riacho Verde (1); Fava de Cheiro (1) e Guarita (1). Considerando o objetivo que é propiciar melhores condições de vida das famílias a partir do acesso a água de qualidade para o consumo humano, fica evidente a satisfação dessas famílias. Quando da aposição das bombas trampolim, representantes das famílias, sobretudo, as mulheres, explicitaram sua alegria em já está consumindo água captada pelas cisternas com as primeiras chuvas caídas na região. só sabe o que é ter uma cisterna em casa quem a possui. Eu tinha vergonha de oferecer um copo de água para uma visita, hoje me sinto bastante a vontade para fazer isso, porque sei que estou ofertando uma água de boa qualidade”, esse foi o relato da Sra. Ana Cláudia da comunidade Catolé da Pista, quando do momento da instalação da bomba trampolim. O fortalecimento dos Fundos Rotativos Solidários é outro objetivo deste projeto. Espera-se que nas comunidades onde tiveram famílias beneficiadas, possa haver o fortalecimento dessa dinâmica e, conseqüentemente, haja maiores e melhores condições, por meio da solidariedade entre as famílias, para possíveis soluções das fragilidades, hora reaplicando a experiência em famílias que ainda não tem, hora dinamizando a organização comunitária para buscar novos apoios a partir do referencial que vem sendo construído, nos últimos anos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CEPFS É FINALISTA DE MAIS UM PRÊMIO!

O Centro de Educação Popular e Formação Social - CEPFS é um dos 10 finalistas do Prêmio Generosidade da Editora Globo. Veja:

http://www.projetogenerosidade.com.br/2012/02/27/conheca-os-10-finalistas/

É mais uma conquista importante, fruto da ação das famílias e comunidades com o apoio do CEPFS e parceiros. Mais uma vez o nome de Teixeira e outros municípios onde o CEPFS atua estarão no cenário nacional, por um motivo bom, com possibilidades de aplausos.